Educomunicar |
Tumblr da área de educomunicação, vulgo educom, destinado a todo educador que acredita na não-excludência entre a originalidade e o compromisso, o humor e a seriedade, o novo e a tradição. =) |
Com essa pergunta simples foi lançada em janeiro de 2009 pelo desenvolver Lindenberg Moreira, a rede social colaborativa Skoob.
Skoob é uma rede social brasileira para leitores e hoje é um ponto de encontro para leitores, além de ter se tornado um ótimo meio de divulgação para os novos escritores, que compartilham sugestões de leitura, organizam eventos e encontro em livrarias.
O visual é bem simples o que facilita a organização do site, fazendo com que o usuário tenha poucas ou nenhuma dificuldade ao navegar pelo site.
O Skoob é uma imensa “estante” virtual, em que se podem cadastrar livros, gibis, mangás e revistas que você está lendo, leu ou até mesmo abandonou. Além disso, é possível adicionar amigos e seguidores, compartilhar com eles seus históricos de leitura e resenhas, atribuir notas e favoritar os livros lidos, trocar aquele livro que você não quer mais e até mesmo cadastrar algum livro que não se encontra disponível no banco de dados do site.
Os usuários interagem entre si, através de comentários, debates e grupos. Muitos clubes literários estão se formando através do Skoob, sendo eles tanto físicos como na forma de Booktour onde um ou mais livros são enviados pelo correio a um grupo de leitores que compartilham suas impressões e emoções durante a leitura.
É comum também escritores e editoras lançarem promoções exclusivas para os “skoobers” como uma forma de divulgar seus trabalhos e conquistarem novos fãs.
Com dois anos de vida o Skoob tem 26.204 fãs em sua página no Facebook, 22.117 seguidores no Twitter e mais de 300 mil usuários ativos na rede. Números esses que impressionam, visto que o site cresceu sem nenhuma publicidade e sim através da mais antiga forma de comunicação; o boca a boca.
E se você achou o nome Skoob diferente ou até mesmo estranho ai vai o significado. Skoob é nada mais nada menos do que Books (“livros”, em inglês) ao contrário.
Ficou curioso para conhecer mais essa rede social acesse o Skoob e comece hoje a montar a sua estante virtual!
* post escrito para o blog da Twiser Agência Digital de Sorocaba (SP).
Tumblr dedicado a organizar os endereços eletrônicos das principais bibliotecas virtuais.
Publicado por Alex Castro no seu site Liberal Libertário Libertino dia 20.02.11
Sim, Monteiro Lobato era racista, mas e daí? Quem não foi? Nosso racismo não é um problema individual. Importante é o racismo da obra, não do autor. A partir de qual idade as crianças tem condições de entender a contextualização de uma obra abertamente racista?
* * *
Tenho tanta coisa a falar sobre esse assunto que tenho evitado me manifestar. Além disso, não gosto de ser caixa de ressonância e repetir, sem acrescentar nada, o que outros já disseram melhor. Por exemplo, esse texto da Ana Maria Gonçalves, que eu assino embaixo: Não é sobre você que devemos falar.
Hoje, enfim, acho que tenho algo a acrescentar, uma coisa que ainda não ouvi ninguém dizendo, um pequeno reparo ou complemento a outro recente texto da Ana:Carta Aberta ao Ziraldo.
O texto é ótimo, lindo e necessário. Em resposta às tentativas de canonização do Lobato, a Ana desencava mil comentários racistas do autor, provando assim que as injúrias raciais presentes em seus livros não eram uma aberração, mas parte integrante de um projeto eugenista que ele perseguiu a vida inteira. No contexto do debate político sendo travado, era fundamental mostrar que o rei estava nu.
Mas, apesar de necessária resposta aos canonizadores, o texto da Ana peca por justamente deixar que eles pautem o debate. Agora, a coisa ficou pessoal: temos por um lado gente dizendo que Lobato era santo (ontem ouvi o absurdo de que Lobato não podia ser racista, pois foi o primeiro editor a publicar autores negros!) e, do outro, gente citando a Ana pra dizer que Lobato era um monstro do racismo e apoiava a Ku Klux Klan.
Entretanto, o racismo não é um problema individual, mas sistêmico e estrutural da nossa sociedade. Entrar na discussão caça-às-bruxas de apontar quem é ou não racista é fazer o jogo de quem quer esvaziar esse debate. Afinal, se o racismo for culpa de um ou outro racista que pode ser encontrado, apontado, morto, censurado, reeducado, então o problema não é estrutural da nossa sociedade, mas individual dessas pessoas. Afinal, se racista é só quem fala que negro é imundo e apoia a Ku Klux Klan, então quase ninguém de fato é racista e o problema já está praticamente resolvido e mal vale a pena esse debate! Cada vez que alguém como a Ana se vê arrastada a esse debate fútil ad hominem, todos perdemos.
Ao tentar chamar atenção para atitudes ou discursos racistas, é importante evitar a construção “você-é”. Não devemos deixar a conversa ir para esse lado e nem devemos deixar que o outro arraste a conversa para esse lado. Pouco importa quem essa pessoa é. Não temos a acesso a quem ela “realmente é”. Isso é sair do foco. A conversa importante tem que ser sobre o que a “pessoa fez”, sobre o impacto de suas ações no mundo, sobre o impacto de suas palavras em outras pessoas. Ou seja, não é que fulano é um racista (quem somos nós para apontar esse dedo?), mas ele fez sim um comentário racista, e é importante apontar isso, e tentar educá-lo, sem com isso fazer-lhe tão enorme acusação.
Então, em última análise, pouco importa se Monteiro Lobato era realmente racista - ou destro ou diabético ou se batia na mulher. Ele já morreu e não está aqui pra se defender. Sua vida acabou. Kaputt.
O que importa são os livros.
* * *
Os livros do Sítio tem um fortíssimo conteúdo racista que não deve ser exposto a crianças pequenas. Um racismo tão forte, tão odioso e tão insultante que não tem como ser contextualizado pelo professor. Nenhum brasileiro de oito anos de idade deve ser obrigado a ler um livro que insulta a ele, a seus pais e parentes, e a pessoas como ele. Um livro que é imposto pela escola como leitura obrigatória em sala de aula tem uma aura de respeitabilidade e aprovação institucional que não teria se fosse presenteado por um parente, encontrado na estante de casa, comprado na livraria. Ninguém até agora (que eu saiba) defendeu que Monteiro Lobato seja censurado, recolhido, queimado, mas é odioso a escola impor esse tipo de constrangimento a uma criança. Não tem contextualização que resolva:
Poxa, Joãozinho, eu sei que esse livro que você está sendo obrigado a ler compara você e toda sua família a animais preguiçosos, mas engole o choro, vai? Naquela época, todo mundo falava assim, todo mundo achava isso. É a história do Brasil! Você não vê como estou contextualizando, oras? Por que ainda está chorando? *E entre os dentes* Porra, negro é foda, sempre se faz de vítima!
* * *
Joaquim Nabuco também era racista. Racistas eram todos os grandes, médios e pequenos homens do nosso passado, com raras exceções. Racista era toda nossa sociedade e toda nossa cultura - aliás, até hoje. Dá pra pinçar da obra de qualquer escritor diversos trechos racistas e odiosos - embora talvez não ao ponto de elogiar a Ku Klux Klan, como a Ana desencavou do Lobato!
Mas pouco importa o racismo de Nabuco, homem branco e rico do Nordeste açucareiro. Nabuco morreu. Quem ainda temos aqui ao nosso lado é O Abolicionismo, talvez o panfleto político mais radical escrito no Brasil no XIX. Um livro que fez muito pelo movimento abolicionista, um livro que deu esperança a milhões de pessoas, um livro que mudou a história. Um livro com trechos racistas, um livro que não considera jamais (até teme) a ação política dos próprios negros, um livro que constrói o abolicionismo como um movimento político exclusivamente branco.
Toda nossa produção literária do século XIX é intrinsecamente racista. Era racista quando falava do negro, sempre em tom condescendente e imbecilizante, e era racista quando não falava do negro, sempre ignorado e desprezado, como se não tivesse inteligência, sensibilidade, vontade própria.
A Escrava Isaura, por exemplo, é uma obra profundamente racista. Todos os negros são descritos de forma feia e animalizada. Só uma negra tem nome - e é a vilã perversa irredimível. A escravidão nunca é criticada: o drama do livro não é que exista escravidão (teoricamente esses negros sujos sem nome merecem o cativeiro), mas que uma moça tão linda e tão branca quanto Isaura seja escrava. Por tudo isso, o romance A Escrava Isaura é uma obra EXCELENTE para ensinar o racismo para os alunos - mas só depois de as crianças já terem estudado História e Geografia do Brasil e estarem maduras para pensar o mundo mais criticamente e entender as questões que o romance levanta.
Existe um mundo de diferença entre ensinar A Escrava Isaura, um livro racista, no Ensino Médio, e ensinar Caçadas de Pedrinho, um livro racista, no Ensino Fundamental. Na faixa etária a qual os livros de Lobato se destinam, as crianças ainda não têm o aparato crítico nem os conhecimentos de História necessários para contextualizar as falas racistas da Emília. Não existe contextualização possível que consiga superar aquelas palavras tão feias, tão odiosas, tão ofensivas - ainda mais quando ditas pela personagem mais simpática do livro e implicitamente aceitas por todos os outros, que não a punem por falar esses absurdos.
* * *
A discussão não é sobre o racismo ou não de Lobato - quase todo mundo era racista no passado.
A discussão não é sobre censura - não vi ninguém propondo censurar Lobato.
A discussão não é sobre ensinar livros racistas na sala de aula - senão, teríamos que jogar fora toda a literatura brasileira do XIX.
A discussão não é se professores são uns vagabundos que não querem nem fazer o trabalho de contextualizar os livros que ensinam - todos fazemos isso o tempo todo.
A discussão não é sobre os livros lindos que você leu na sua infância e que as novas gerações vão ser impedidas de ler pela patrulha do politicamente correto - como disse a Ana, não é sobre você devemos falar.
A discussão deve ser a seguinte:
A partir de que idade as crianças passam a ter maturidade e pensamento crítico suficientes para entender e contextualizar o racismo presente em obras como Caçadas de Pedrinho e A Escrava Isaura?
* * *
Coloque-se no lugar do professor, mão suja de giz e ganhando pouco, e se pergunte: a partir de qual idade você acha certo olhar no olho de uma criança negra que está sob sua responsabilidade e contar pra ela que até mesma a Emília (logo a Emília, tão legal!) achava que ele, e as pessoas como ele, eram pouco mais que animais?
É muito fácil discutir esse assunto em teoria, como se fosse um debate filosófico abstrato, mas para quem tem que sujar os dedos de giz todo dia, é uma realidade bem concreta. Por isso, essa decisão cabe, antes de mais nada, aos próprios professores e educadores que vão ensinar esses livros. Por isso, a maioria dos professores com quem falo, apesar de quase todos adorarem os livros e terem belas lembranças deles, afirmam que não os ensinariam aos seus alunos pequenos.
Infelizmente, em um contrapé canônico, quando as crianças já tiverem maturidade para contextualizar o racismo de Lobato provavelmente estarão maduras demais para se interessar por livros infantis. Pobre Lobato!
* * *
Pra deixar claro: apesar de achar que a Ana fez bem em responder às tentativas de canonização do Lobato, este texto é minha tentativa de trazer o debate de volta à arena onde ele deve ser travado, a sala de aula.
No dia em que o governo tentar censurar ou queimar ou proibir algum autor brasileiro, eu vou ser o primeiro, na rua, de fuzil na mão. Entretanto, a única coisa que está havendo aqui é professores decidindo o que vão ensinar em suas salas de aula. Se essa decisão não cabe a eles, então a quem?
* * *
Links Relacionados:
- Não é sobre você que devemos falar, por Ana Maria Gonçalves
- Carta Aberta ao Ziraldo, por Ana Maria Gonçalves
- O Racismo Não É um Problema Individual
- Como Dizer para Alguém que Ela Soa Racista
- Negrinha, de Monteiro Lobato
- Lá Se Foram os Negrinhos - Politicamente Correto e Liberdade
Fonte: http://www.interney.net/blogs/lll/2011/02/20/monteiro_lobato_racismo/.
(Para ver os comentários dos leitores além de mais textos do autor, recomendo acessar seu site.)
(Source : weheartit.com, via percepcaodesolidao)
Did “The Hitchhiker’s Guide to the Galaxy” predict the Kindle?
via Reddit
(Source : puttingmannersonafeminist, via adventuresinlearning)
E se fosse com você?? Sequência de tweets da @meninanaopode
por Pablo Mayer http://braboscomics.com/blog/
I designed a spoof poster a year ago then thanks to Google images and a lack of translation this...
Fizemos essa imagem para o carnaval, mas a dica é para o ano inteiro:

Kinderovo: Agora com Gênero!
No mesmo feeling da ‘Bic for Her’ que deixou mulheres em todo o mundo surpresas ao descobrirem que a caneta bic...